Ouvi diversas vezes você me jurar:
"por favor, não vá, eu vou mudar". Mas perceba: eu não preciso que
você mude por mim, eu só gostaria de mudar em você. Eu gostaria de abandonar
essa sina de me sentir vazio sem ter o que tornar em seguida, como eu me senti
íntegro enquanto eu desejei mudar em você. Eu acreditei que eu poderia ser tão
ingênuo.
Não tem nada a ver com você ser o
suficiente para mim. É só uma questão que eu não sou suficiente para mim mesmo,
e dessa forma eu quis absorver você para mim. Me perdoe se eu nunca te
perguntei se era esse o seu desejo, ser absorvida por mim.
Eu gostaria que você não se
sentisse inferior por não conseguir me fazer ser completo. Em uma outra vida,
quem sabe, eu abandone esse vampirismo que me faz querer usar o seu sangue para
alimentar a minha falta de propósito. Não é sua culpa.
Tampouco eu desejei que você se
tornasse outra pessoa, mas eu me perdi, porque você mudou. Você diz que sou um
inquisidor, mas não sou. Estou tentando trazer alguma objetividade ao dilema da
mudança que se impõe sobre nós. Eu te acuso de ser instigadora e instável, mas
a verdade é que eu só queria existir por mim mesmo todo o tempo. Eu queria ser como
você.
Eu critico o fato de você se
esconder atrás de tanta maquiagem, mas eu e você odiamos todos os subterfúgios
que eu uso para nunca mostrar um rosto. Eu então te peço, "por favor, não
vá, eu vou mudar". Se eu te disser isso outras vezes, mesmo que eu te
convença, eu mentirei em todas elas. Eu não sei mudar, como você mudou. Não é minha
culpa. Não há um "eu" sólido para mudar.
Não se prenda a mim. Não há o que
se prender em mim. Eu te farei esperar para sempre que essas coisas se
transformem em mim, em algo que eu possa chamar de personalidade. Se eu te
disser que eu vou me curar dessas mudanças, não acredite. Então mude você
mesma, e se encontre confortável em estar consigo mesma. Eu nunca estarei com
você. Eu nunca estarei comigo; eu nunca estarei. Eu estarei sempre mudando de
contradição. E esse paradoxo que sou hoje não durará, então eu lhe peço: “não
vá”, mas vá agora. E não faça por mim o que eu não faria por ninguém.
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